Após reunião geral da categoria na última terça-feira, 22/05, estudantes elaboram uma carta destinada aos docentes, comando de greve e a Adufal. Tal carta serve também para mostrar a sociedade que nossos estudantes são ativos e dignos de nosso esforço para um ensino de qualidade e seguro na UFAL Arapiraca. Vale destacar que o desenvolvimento intelectual da região do agreste alagoano se dará com gente daqui mesmo, com pessoas que amam a região e se capacitam para fazer a diferença no futuro.
Veja a carta elaborada pelos alunos no link "mais informações" logo abaixo.
CARTA
AOS DOCENTES, AO COMANDO DE GREVE E A ADUFAL
Na
última semana, mais de 30 Universidades Federais deflagraram greve
Brasil a fora, dentre estas, a Universidade Federal de Alagoas,
composta pelos seus três campi,
A.C. Simões, Arapiraca e Sertão. A classe docente da UFAL conta com
o apoio de diversas outras classes e entidades representativas de
todos os polos e campi
da Universidade, contudo nós, alunos da sede do Campus
Arapiraca, nos mostramos imensamente preocupados com esta situação
de greve.
Tal
preocupação não é leviana e vazia, pois estamos passando por uma
situação bastante singular com as nossas atividades paralisadas a
mais de 50 dias, devido à falta de segurança em nossa unidade de
ensino provocada pelas fugas e tiroteios decorrentes da localização
do presídio de segurança média Desembargador Luis de Oliveira
Sousa no mesmo terreno das instalações físicas da Universidade,
oferecendo risco a mais de 3000 pessoas, dentre alunos, funcionários
e professores. Portanto precisamos de, apesar da greve, contar com o
apoio e atenção especial para nosso movimento por segurança.
Entendemos a
Universidade Federal de Alagoas como uma só, composta por três
campi,
diversos Centros e Institutos e alguns polos, em diferentes lugares
do Estado. Neste sentido, nos solidarizamos à causa docente e a
apoiamos, contudo, também pedimos a solidariedade dos docentes e de
seu sindicato (ADUFAL) para nossa causa em Arapiraca, porque ambas
são causas nobres e justas.
Não
paramos nossas atividades a mais de 50 dias por esporte, e nossas
reivindicações em prol da desativação do presídio ao lado de
nossa unidade não são vazias e levianas, são justificadas pelas
fugas constantes, invasões, tiroteio, marcas de bala, sequestro e
morador baleado, como mostra o quadro a seguir:
ANO
|
Nº
DE OCORRÊNCIAS
|
OCORRÊNCIAS
|
SEQUELAS
NO CAMPUS ARAPIRACA
|
2006
|
1
|
FUGA
|
-
|
2007
|
1
|
REBELIÃO
|
-
|
2008
|
1
|
FUGA
|
-
|
2010
|
3
|
FUGAS
|
A
sala da Direção Geral do Campus, assim como o bloco de
laboratórios foram alvejados por projéteis.
|
2011
|
3
|
DISPAROS
E FUGAS
|
Disparos
de tiros em direção ao Campus Arapiraca, atingindo a sala de
pranchetas utilizada pelos acadêmicos do curso de Arquitetura e
Urbanismo, uma tentativa de fuga (escavação de túnel), duas
fugas concretizadas, as quais ocorreram em um intervalo de
aproximadamente 18h (dias 04/09/2011 e 05/09/2011), uma fuga em
30/10/2011.
|
2012
|
1
|
FUGA
|
Através
de um túnel saíram 26 reeducandos.
|
1
|
FUGA,
DISPAROS E SEQUESTRO
|
Disparos
de tiros em direção ao Campus Arapiraca, atingindo a sala de
aula 28 (Bloco C), sequestro de motorista que faz o translado de
professores, fuga de 15 reeducandos, bem como disparos e tiros com
pelo menos três pessoas atingidas (dois reeducandos e um cidadão
que trafegava próximo ao Campus no momento da fuga)
|
Em
seis anos de “convivência”, onde desde 2010 lutamos arduamente
contra essa problemática, pedindo mais segurança no presídio para
evitar novas fugas, no entanto como mostra o quadro, o número de
fugas não diminuiu e o risco está cada vez maior. Não queremos os
reeducandos longe de suas famílias, tanto que havia professores que
desenvolviam projetos lá dentro, contudo, nós precisamos de
segurança para funcionar e a solução plausível e definitiva para
essa falta de segurança é a desativação do presídio, pois os
projetos de reforçar a segurança, infelizmente não foram
implantados em todo esse tempo. Portanto, ficou provado, que essa
convivência não é harmoniosa.
Ressaltamos
que essa não é hora para procurar culpados e sim soluções, pois
podemos observar problemas em todos os polos e campi,
como o Campus
do Sertão que possui falta de infraestrutura em processo lento de
melhorias, o polo Viçosa que se encontra em local de difícil acesso
e com condições precárias de funcionamento, o polo Palmeira por
ter iniciado suas atividades em um espaço inadequado e ainda hoje
enfrenta problemas estruturais, o polo Penedo com as insuficiências
estruturais presentes em seu prédio e o campus A.C. Simões com
diversos cursos sem bloco e em condições de sucateamento. Somos uma
única universidade e temos que agir como tal, lutando sempre em
conjunto por melhorias.
Sendo
assim, por tudo que foi exposto, não podemos priorizar a pauta da
greve nela mesma, mas amplia-la para contemplar também a luta pela
melhoria da qualidade de ensino que passa pela questão da falta de
infraestrutura, logo por uma questão de investimento massivo em
Educação pública, por isso é necessário lutar pela aprovação
da destinação dos 10% do PIB para a Educação.
Pedimos
vosso apoio para nossa causa, com uma atenção especial por um
motivo bem simples: conseguimos estudar sem livros, sem biblioteca,
sem professor, com sucateamento estrutural e falta de espaço físico,
mas jamais conseguiremos estudar sem vida.
Obrigado!
Atenciosamente
alunos da Universidade Federal de Alagoas- Campus Arapiraca (Sede).

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