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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Alunos de Arapiraca elaboram uma carta destinada aos docentes, comando de greve e a Adufal.


 Após reunião geral da categoria na última terça-feira, 22/05, estudantes elaboram uma carta destinada aos docentes, comando de greve e a Adufal. Tal carta serve também para mostrar a sociedade que nossos estudantes são ativos e dignos de nosso esforço para um ensino de qualidade e seguro na UFAL Arapiraca. Vale destacar que o desenvolvimento intelectual da região do agreste alagoano se dará com gente daqui mesmo, com pessoas que amam a região e se capacitam para fazer a diferença no futuro.

Veja a carta elaborada pelos alunos no link "mais informações" logo abaixo.


 
CARTA AOS DOCENTES, AO COMANDO DE GREVE E A ADUFAL

Na última semana, mais de 30 Universidades Federais deflagraram greve Brasil a fora, dentre estas, a Universidade Federal de Alagoas, composta pelos seus três campi, A.C. Simões, Arapiraca e Sertão. A classe docente da UFAL conta com o apoio de diversas outras classes e entidades representativas de todos os polos e campi da Universidade, contudo nós, alunos da sede do Campus Arapiraca, nos mostramos imensamente preocupados com esta situação de greve.
Tal preocupação não é leviana e vazia, pois estamos passando por uma situação bastante singular com as nossas atividades paralisadas a mais de 50 dias, devido à falta de segurança em nossa unidade de ensino provocada pelas fugas e tiroteios decorrentes da localização do presídio de segurança média Desembargador Luis de Oliveira Sousa no mesmo terreno das instalações físicas da Universidade, oferecendo risco a mais de 3000 pessoas, dentre alunos, funcionários e professores. Portanto precisamos de, apesar da greve, contar com o apoio e atenção especial para nosso movimento por segurança.
Entendemos a Universidade Federal de Alagoas como uma só, composta por três campi, diversos Centros e Institutos e alguns polos, em diferentes lugares do Estado. Neste sentido, nos solidarizamos à causa docente e a apoiamos, contudo, também pedimos a solidariedade dos docentes e de seu sindicato (ADUFAL) para nossa causa em Arapiraca, porque ambas são causas nobres e justas.
Não paramos nossas atividades a mais de 50 dias por esporte, e nossas reivindicações em prol da desativação do presídio ao lado de nossa unidade não são vazias e levianas, são justificadas pelas fugas constantes, invasões, tiroteio, marcas de bala, sequestro e morador baleado, como mostra o quadro a seguir:
ANO
Nº DE OCORRÊNCIAS
OCORRÊNCIAS
SEQUELAS NO CAMPUS ARAPIRACA
2006
1
FUGA
-
2007
1
REBELIÃO
-
2008
1
FUGA
-


2010


3


FUGAS
A sala da Direção Geral do Campus, assim como o bloco de laboratórios foram alvejados por projéteis.




2011




3




DISPAROS E FUGAS
Disparos de tiros em direção ao Campus Arapiraca, atingindo a sala de pranchetas utilizada pelos acadêmicos do curso de Arquitetura e Urbanismo, uma tentativa de fuga (escavação de túnel), duas fugas concretizadas, as quais ocorreram em um intervalo de aproximadamente 18h (dias 04/09/2011 e 05/09/2011), uma fuga em 30/10/2011.








2012
1
FUGA
Através de um túnel saíram 26 reeducandos.






1





FUGA, DISPAROS E SEQUESTRO
Disparos de tiros em direção ao Campus Arapiraca, atingindo a sala de aula 28 (Bloco C), sequestro de motorista que faz o translado de professores, fuga de 15 reeducandos, bem como disparos e tiros com pelo menos três pessoas atingidas (dois reeducandos e um cidadão que trafegava próximo ao Campus no momento da fuga)

Em seis anos de “convivência”, onde desde 2010 lutamos arduamente contra essa problemática, pedindo mais segurança no presídio para evitar novas fugas, no entanto como mostra o quadro, o número de fugas não diminuiu e o risco está cada vez maior. Não queremos os reeducandos longe de suas famílias, tanto que havia professores que desenvolviam projetos lá dentro, contudo, nós precisamos de segurança para funcionar e a solução plausível e definitiva para essa falta de segurança é a desativação do presídio, pois os projetos de reforçar a segurança, infelizmente não foram implantados em todo esse tempo. Portanto, ficou provado, que essa convivência não é harmoniosa.
Ressaltamos que essa não é hora para procurar culpados e sim soluções, pois podemos observar problemas em todos os polos e campi, como o Campus do Sertão que possui falta de infraestrutura em processo lento de melhorias, o polo Viçosa que se encontra em local de difícil acesso e com condições precárias de funcionamento, o polo Palmeira por ter iniciado suas atividades em um espaço inadequado e ainda hoje enfrenta problemas estruturais, o polo Penedo com as insuficiências estruturais presentes em seu prédio e o campus A.C. Simões com diversos cursos sem bloco e em condições de sucateamento. Somos uma única universidade e temos que agir como tal, lutando sempre em conjunto por melhorias.
Sendo assim, por tudo que foi exposto, não podemos priorizar a pauta da greve nela mesma, mas amplia-la para contemplar também a luta pela melhoria da qualidade de ensino que passa pela questão da falta de infraestrutura, logo por uma questão de investimento massivo em Educação pública, por isso é necessário lutar pela aprovação da destinação dos 10% do PIB para a Educação.
Pedimos vosso apoio para nossa causa, com uma atenção especial por um motivo bem simples: conseguimos estudar sem livros, sem biblioteca, sem professor, com sucateamento estrutural e falta de espaço físico, mas jamais conseguiremos estudar sem vida.

Obrigado!

Atenciosamente alunos da Universidade Federal de Alagoas- Campus Arapiraca (Sede).

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