UFAL ARAPIRACA: POR QUE
PARAMOS?
CARTA
ABERTA À SOCIEDADE
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A idéia de interiorização da Universidade Federal de Alagoas
permaneceu viva por algumas décadas. A UFAL deu início ao processo
de interiorização em 2005, como parte da política de expansão da
universidade pública brasileira, que é legítima e necessária,
havendo expandido o acesso ao ensino público para a região do
agreste alagoano. Entendemos que esta ação foi um grande avanço na
democratização do ensino público e no desenvolvimento do estado de
Alagoas. A universidade, além de possuir um papel de formador de
profissionais qualificados, desenvolve projetos de pesquisas e
extensão com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico,
social e ambiental do local onde está inserida.
No caso específico do Campus Arapiraca, o terreno
disponibilizado para a implantação de
sua sede está localizado no entorno do presídio de segurança média
Desembargador Luis de Oliveira Sousa. Sua aquisição resultou de
acordos entre UFAL, Governo do Estado e Prefeitura de Arapiraca,
chancelada pelo Ministério da Educação, sem que naquele momento
fossem devidamente avaliadas as consequências desta proximidade.
Após incidentes recorrentes de interferência mútua entre a
instituição penitenciária e a Universidade, nos dirigimos à
sociedade para apresentar nossas reflexões e considerações acerca
do que vem ocorrendo quanto à segurança da universidade, o que nos
leva a refletir também sobre as condições de funcionamento e
segurança interna e externa do presídio. A insegurança a que está
sujeita toda a comunidade do entorno do
presídio expressa-se no grande quantitativo de fugas ocorridas
principalmente nos últimos três anos, como pode ser observado no
quadro abaixo:
ANO
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Nº
DE OCORRÊNCIAS
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OCORRÊNCIAS
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SEQUELAS
NO CAMPUS ARAPIRACA
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2006
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1
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FUGA
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-
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2007
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1
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REBELIÃO
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-
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2008
|
1
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FUGA
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-
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2010
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3
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FUGAS
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A
sala da Direção Geral do Campus, assim como o bloco de
laboratórios foram alvejados por projéteis.
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2011
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3
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DISPAROS
E FUGAS
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Disparos
de tiros em direção ao Campus Arapiraca, atingindo a sala de
pranchetas utilizada pelos acadêmicos do curso de Arquitetura e
Urbanismo, uma tentativa de fuga (escavação de túnel), duas
fugas concretizadas, as quais ocorreram em um intervalo de
aproximadamente 18h (dias 04/09/2011 e 05/09/2011), uma fuga em
30/10/2011.
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2012
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1
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FUGA
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Através
de um túnel saíram 26 reeducandos.
|
1
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FUGA,
DISPAROS E SEQUESTRO
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Disparos
de tiros em direção ao Campus Arapiraca, atingindo a sala de
aula 28 (Bloco C), sequestro de motorista que faz o translado de
professores, fuga de 15 reeducandos, bem como disparos e tiros com
pelo menos três pessoas atingidas (dois reeducandos e um cidadão
que trafegava próximo ao Campus no momento da fuga)
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Desde 2010, diante das sucessivas fugas, a UFAL buscou alternativas
junto ao Governo do Estado e outros órgãos responsáveis para
tentar solucionar o problema. As medidas propostas pautavam-se na
intensificação da ronda no entorno do presídio, colocação de
cerca navalhada, construção de um fosso com criação de gansos e a
construção de um muro, sendo que só foi efetivada a colocação da
cerca navalhada. Apesar disto houve um crescente no quantitativo de
fugas que foram tornando-se cada vez mais perigosas, culminando com a
fuga do dia 02 de abril de 2012 quando os reeducandos contaram com
ajuda externa, resultando em uma fuga com reeducandos armados que
renderam e sequestraram o motorista que faz o transporte dos
professores e um morador da região baleado, o que determinou a
suspensão das atividades no Campus. A convivência tornou-se
insustentável, pois, muitas famílias, estudantes, professores,
técnicos administrativos, terceirizados e comunidade sentiram o
terror da falta de segurança na fuga. O horário da fuga foi o mesmo
horário da saída do turno da manhã, deixando evidente a
possibilidade de usar escudo humano. Além disto, os incidentes vêm
deixando marcas na própria estrutura física da Universidade, que
atualmente segue fechada e cravada de balas.
A comunidade acadêmica foi levada a solicitar uma providência
efetiva por parte dos órgãos responsáveis para resolução da
situação de medo, pânico e insegurança de mais de 3000 pessoas
que a compõem. Diante da impossibilidade imediata de estruturação
e garantia das condições de segurança no presídio, o
encaminhamento dado pelos órgãos competentes foi a transferência
provisória dos reeducandos e a construção de um novo presídio na
região agreste.
Sentindo-nos incapazes de intervir na situação de extrema violência
que o Estado tem enfrentado, solidarizamo-nos frente às péssimas
condições de trabalho a que os agentes são submetidos e a precária
condição de vida que os reeducandos encontram dentro dos presídios.
Queremos deixar bem claro que não se trata de uma quebra de braço
da universidade x presídio. Entendemos que as pessoas que estão
dentro do presídio precisam ser tratadas humanamente para que possam
pagar a sua pena e voltar para o convívio social com dignidade.
No entanto não podemos negligenciar a responsabilidade institucional
com a segurança das pessoas que cotidianamente frequentam o Campus
deixando filhos, pais e mães apreensivos com o risco permanente
de perda abrupta da vida. Sendo assim, a comunidade universitária
vem pedir a compreensão e apoio da sociedade à suspensão das
atividades do Campus até que uma solução efetiva seja
implementada – o que cremos, devido aos agravantes recentes, ser
necessariamente a desativação do presídio - pois necessitamos de
condições dignas de trabalho para mantermos nossas famílias. O que
queremos é um ambiente de paz e tranquilidade para todos, seja na
universidade, seja em qualquer outra parte do mundo, e chamamos a
população para construir a luta pela diminuição da violência em
Alagoas.
Arapiraca-Alagoas, 04 de maio de 2012.
Comunidade
Universitária da UFAL / Campus Arapiraca
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